Desenho de Francesco Piobbichi, equipe, programa Mediterranean Hope, Federação de Igrejas Protestantes na Itålia (FCEI)
Roma (NEV), 27 de julho de 2022 â 217 refugiados afegĂŁos que estavam refugiados no PaquistĂŁo desde agosto passado chegaram hoje, quarta-feira, 27 de julho, em um voo de Islamabad. Sua entrada na ItĂĄlia foi possĂvel graças ao memorando de entendimento com o Estado italiano, assinado em 4 de novembro de 2021 pela Comunidade de Sant'Egidio, a Federação das Igrejas EvangĂ©licas da ItĂĄlia, a Tavola Valdese, Arci, Caritas Italiana, OIM, INMP e ACNUR.
Juntamente com outras chegadas do IrĂŁo - no passado dia 25 de Julho e amanhĂŁ, quinta-feira 28 de Julho - serĂŁo mais de 300 refugiados afegĂŁos que serĂŁo acolhidos no nosso paĂs graças aos corredores humanitĂĄrios, um projecto totalmente apoiado pelas associaçÔes proponentes e possĂvel graças ao generosidade e ao compromisso livre e voluntĂĄrio de muitos cidadĂŁos italianos, que ofereceram suas casas para acolher, mas tambĂ©m congregaçÔes religiosas, ONGs e diversos sujeitos da sociedade civil. Entre eles, a Solidaire, que em colaboração com a Open Arms, contribuiu para a organização do voo desde o PaquistĂŁo.
Esta tarde, em Fiumicino, por ocasião da recepção dos refugiados, foi realizada uma coletiva de imprensa com a participação de: Marina Serena, Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional; marco impagliazzopresidente da Comunidade de Sant'Egidio; Daniele Garronepresidente da Federação das Igrejas Evangélicas da Itålia; Alessandra Trottamoderador da Mesa Valdense; Filipe MiragliaGerente Nacional de Imigração da Arci; Valentina Brinis, Braços abertos; Sylvan Adams, CEO Israel - Premier Tech.
AQUI os vĂdeos e fotos do evento.
AQUI o vĂdeo da conferĂȘncia de imprensa:
"Como governo italiano, assumimos o compromisso de nĂŁo abandonar o povo afegĂŁo", disse ele Marina Serena, Vice-Ministro dos NegĂłcios Estrangeiros e Cooperação Internacional. âA situação humanitĂĄria Ă© muito grave, especialmente para mulheres e meninas, que nĂŁo puderam voltar Ă escola. NĂŁo podemos permitir que as crianças afegĂŁs percam seu futuro. O governo italiano continuarĂĄ, com seus parceiros e agĂȘncias internacionais, levando ajuda humanitĂĄria ao AfeganistĂŁo e aos paĂses vizinhos. Temos o dever de acolher aqueles que virĂŁo Ă ItĂĄlia graças aos corredores humanitĂĄrios, que sĂŁo fruto do trabalho da sociedade civil italiana, que pĂŽs em movimento e que, graças Ă colaboração dos MinistĂ©rios do Interior e das RelaçÔes Exteriores Assuntos, conseguiram esta primeira chegada".
Daniele Garronepresidente da Federação das Igrejas EvangĂ©licas da ItĂĄlia e Alessandra Trottamoderador da Mesa Valdense, declara: âAtĂ© os evangĂ©licos acolhem com alegria os beneficiĂĄrios deste corredor humanitĂĄrio para os refugiados afegĂŁos. NĂŁo tĂnhamos esquecido deles. A chegada de hoje resulta do empenho conjunto de associaçÔes e instituiçÔes que tĂȘm trabalhado em conjunto para desenvolver e alargar a boa prĂĄtica dos corredores humanitĂĄrios inaugurados em 2016, e desde entĂŁo tambĂ©m propostos Ă s instituiçÔes europeias como polĂtica estruturante de gestĂŁo de refugiados. A dimensĂŁo ecumĂȘnica, que vĂȘ juntos evangĂ©licos e catĂłlicos, Ă© particularmente significativa para nĂłs. Hoje damos as boas-vindas aos refugiados afegĂŁos, assim como no passado recebemos os da SĂria e da LĂbia. Nestes dias estamos tambĂ©m empenhados em açÔes de apoio aos que fugiram da UcrĂąnia, convictos de que nĂŁo se pode fazer distinção entre europeus e nĂŁo europeus e que todos os refugiados que fogem da guerra e da perseguição merecem um destino seguro, sem distinguir a sua origem ou o seu identidade religiosa. Pelo contrĂĄrio, esperamos que o acolhimento dispensado Ă população que foge da UcrĂąnia marque uma mudança de rumo, polĂtico e cultural, em relação aos refugiados de todas as outras nacionalidades e de todas as origens. TambĂ©m esperamos poder abrir um corredor da BĂłsnia para refugiados literalmente presos ao longo da rota dos BĂĄlcĂŁs. Operando tambĂ©m em Lampedusa e vendo em primeira mĂŁo os efeitos atĂ© trĂĄgicos da migração irregular, reafirmamos a urgĂȘncia de um plano europeu para a abertura de vias legais e seguras tanto para os migrantes como para os requerentes de asilo, para que aqueles que fogem ou migram nunca corram mais riscos sua vida. Agradecemos Ă s igrejas da Federação, Ă s igrejas irmĂŁs no exterior, Ă s entidades e associaçÔes que contribuem para este resultado, bem como aos contribuintes que optam por destinar o Otto per mille Ă Igreja Valdense â UniĂŁo das Igrejas Metodista e Valdense: seu gesto Ă© tambĂ©m um contributo essencial para a concretização deste projeto de hospitalidade. Do nosso jeitinho, estamos sempre prontos e dispostos a fazer a nossa parteâ.
Quanto Ă cota de pessoas acolhidas pelas igrejas protestantes, o Serviço de InclusĂŁo da Diaconia Valdense acolherĂĄ, para esta primeira chegada, 15 pessoas, incluindo 3 famĂlias, na SicĂlia, CampĂąnia, Lombardia e Piemonte. As pessoas serĂŁo acomodadas em apartamentos e inseridas em projetos de acolhimento generalizado para iniciar um processo de integração e resgate de sua autonomia.
âNĂŁo esquecemos o sofrimento dos afegĂŁos! Hoje se cumpre uma promessa para 300 refugiados afegĂŁos: a de nĂŁo abandonĂĄ-los apĂłs a volta ao poder dos talibĂŁs em agosto passado", declarou em coletiva de imprensa marco impagliazzo, presidente da Comunidade de Sant'Egidio. âEstamos felizes em recebĂȘ-los e iniciar para todos eles o jĂĄ testado processo de integração dos corredores humanitĂĄrios. Estas pessoas serĂŁo acolhidas, em vĂĄrias cidades, pelas nossas comunidades, mas tambĂ©m por cidadĂŁos e congregaçÔes religiosas que quiseram abrir as portas das suas casas. Enquanto milhĂ”es de pessoas que fogem de guerras, fome e mudanças climĂĄticas em busca de um futuro correm o risco de desaparecer dos holofotes ou se tornar objeto de exploração polĂtica, a ItĂĄlia mostra sua face humana e acolhedora, graças a corredores humanitĂĄrios e uma sinergia virtuosa entre sociedade civil e instituiçÔes ".
Filipe Miragliagerente de imigração da Arci Nazionale, disse:"A Arci estĂĄ muito feliz por participar pela primeira vez nos corredores humanitĂĄrios: se essas pessoas que chegaram hoje de aviĂŁo, acolhidas por nĂłs e pela ItĂĄlia com generosidade, tivessem partido sozinhas em busca de proteção e tivessem chegado Ă s fronteiras da UE , recorrendo aos traficantes como 99% das pessoas que fogem sĂŁo obrigadas a fazer, nĂłs os chamarĂamos desdenhosamente de "ilegais" e eles correriam o risco de acabar nos campos de concentração lĂbios que apoiamos, ou rejeitados em nossas fronteiras terrestres, como acontece todos os dias violando todos os leis e convençÔes internacionais. Ă por isso que queremos apoiar e investir, tambĂ©m para demonstrar que existem alternativas, em todas as formas de acesso legal e seguro como os corredores humanitĂĄrios. Agradecemos Ă rede nacional dos Arci Refuge Circles, que oferecerĂĄ hospitalidade material e apoio aos beneficiĂĄrios deste corredor humanitĂĄrio, e ao Instituto Budista Italiano Soka Gakkai que decidiu dar prioridade com os fundos 8Ă1000 para intervençÔes de acolhimento e inclusĂŁo para as pessoas que fogem do regime afegĂŁo".
Para Enrique Pineyro, da ONG Solidaire: âA viagem tem um valor muito alto para nĂłs porque estamos acompanhando pessoas que querem fugir do local onde moram porque ali correm perigo. Entre casamentos forçados, a impossibilidade de estudar, a impossibilidade de sair de casa sozinha, as mulheres no AfeganistĂŁo vivem numa condição desumana. Ser capaz de ajudĂĄ-los a viver uma vida normal Ă© muito gratificante.â
Acampamentos do Oscar, fundador da Open Arms, disse: âEu nunca poderia imaginar, muito menos em 2015, quando começamos a resgatar pessoas que fugiam da guerra na SĂria pelo Mar Egeu, que hoje eu estaria no aeroporto de Islamabad, ajudando na criação de uma organização humanitĂĄria corredor que trarĂĄ mulheres e meninas afegĂŁs para a segurança, neste caso na ItĂĄlia. Isso foi possĂvel graças Ă colaboração de muitas organizaçÔes e graças ao aviĂŁo disponibilizado pela ONG Solidaire. Para nĂłs que estamos habituados ao salvamento marĂtimo em condiçÔes difĂceis, Ă© um orgulho poder evacuar estas pessoas por vias seguras e legais. Continuaremos no mar, mas tambĂ©m Ă© importante tentar evitar sofrimentos desnecessĂĄrios facilitando de todas as formas esses corredores humanitĂĄrios. A Open Arms and Solidaire continuarĂĄ a fazĂȘ-lo sempre que possĂvel.â
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